sábado, 28 de janeiro de 2012

O Que O Preconceito Pode Causar A Uma Pessoa  -  Parte 1



4 anos e 1 meses atrás eu fiz amizade com uma menina no colégio aonde eu estudava. Ela vivia me irritando. Na aula eu, que nunca fazia nada (literalmente), comecei a ser chamada a atenção porque ela conversava muito comigo e queria sempre estar ''grudada'' em mim. Eu não aguentava.
No meio do ano, mais ou menos, foi o aniversário dela, no fim da festa eu contei algo que ela não sabia sobre mim, que eu sou gay, na minha cabeça eu só pensei duas reações dela: agir como se não fosse nada ou ''surtar'' e ser preconceituosa, mas ela ficou muito estranha, muito mesmo. Depois desse dia ela continuou estranha por um bom tempo, achei que estava um pouco doente. Achei também que ela não queria mais andar comigo, porque não falava direito mais comigo. Nós até conversamos um pouco melhor depois e ela até me contou que uma vez sonhou que tava ficando com uma menina lá do colégio e que eu a conhecia, mas ela não me disse quem era. Lembro de uma tarde que eu a chamei para minha casa, ela ia muito lá, mas ela não apareceu. Liguei pra saber se ela ainda iria, mas disse que não dava por causa de algum motivo que eu não me lembro. A voz dela estava um pouco estranha, perguntei se estava bem e ela me disse que tava um pouco enjoada, mas que não era nada de muita importância. Não me lembro exatamente de como foi a conversa, mas me recordo das partes principais. Ela comentou que quando o pai dela a viu perguntou se ela tava bem e ela falou do enjôo, ele disse, de brincadeira, que ela estava assim porque tava apaixonada. Eu, pra brincar mais, fiquei abusando dizendo que era verdade e que era pra ela dizer quem era essa pessoa.
Numa tarde ela foi ''estudar'' em minha casa, porque a gente só ficava conversando, eu fiquei insistindo de curiosidade pra que ela me falasse quem era a menina do sonho dela, mas ela não queria dizer. Depois de muito tempo insistindo aí ela pegou um papel e escreveu o nome, porque tava com frescura de dizer. Quando eu peguei o papel vi meu nome, logo após ela comenta: ''acho que meu pai estava certo'', como eu sou muito idiota para perceber as coisas que acontecem comigo demorei um pouco e lembrei-me da conversa no telefone. Eu estava com o livro de literatura na mão, eu fiquei tão nervosa que folheei o livro todo, várias e várias vezes, eu não sabia o que falar, eu não tinha nem muita noção do que estava acontecendo direito. Eu sou muito burra. Eu gostava dela, mas nunca iria esperar que fosse mútuo. Não tenho palavras para explicar o quanto eu estava nervosa naquela hora. Tinha quase certeza que meu coração ia sair pela boca. 
Depois desse dia e depois de muita enrolação, a gente ficou. Ela foi à primeira menina e também a primeira pessoa com que eu tinha ficado. Parecia ridículo, mas eu estava me sentindo tão bem, parecia uma história de algum filme gay adolescente que eu vivia assistindo, um pouco patético, mas eu não conseguia controlar como eu estava por dentro.
Esses acontecimentos foram os melhores e mais felizes momentos do meu ano, até agora quando eu lembro me traz um pouco de felicidade.
Mas foi a partir disso tudo que meu ano foi ao mesmo tempo o pior ano que alguém pode ter, e num modo bem ruim, que se eu parar para lembrar machuca por dentro, muitas vezes até choro, até para continuar essa história é complicado pra mim.


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